Depoimentos

Como foi seu primeiro contato com a leitura e a escrita? Vejam os depoimentos sobre nossas primeiras experiências com a  leitura e a escrita.

Professora Maria Penha:

A minha experiência com a leitura e escrita se deu de forma lúdica, as primeiras palavras que li foram: Posto Texaco em um calendário. Fiquei emocionada, como se tivesse descoberto o mundo, uma verdadeira façanha. Como se tivesse saído da escuridão! Ao entrar na 1ªsérie do antigo primário tive acesso a livros e aos poucos fui descobrindo o mistério das letras, sílabas e palavras, passei então a ler minhas primeiras fábulas, contos de fadas. Os livros tornaram-se meus companheiros, preenchendo lacunas e permitindo ultrapassar os limites da imaginação. Nós professores devemos incentivar nossos alunos a lerem para formarmos cidadãos mais questionadores. A leitura e a escrita formam o ser humano. Por isso indico aos meus alunos a leitura de livros, textos, jornais, bulas de remédios, receitas, sites da internet. Sei que nem todos leem, mas uma leitura prazerosa é importante e remete a uma melhor aprendizagem.

Professora Ana Paula Batistini:

As minhas memórias de leitura e escrita são de uma menina que cresceu numa atmosfera de ditadura, meus pais são pessoas muito simples sem muita instrução, levavam muito a sério o estudo de seus filhos, pois não tiveram a oportunidade de estudarem uma vez que deveriam trabalhar cedo para o sustento da família. Meus pais e meus avós (imigrantes italianos e japoneses) não tiveram cultura de leitura e o ambiente político que cresci também não favorecia isso. Entretanto, me lembro da minha professora da 1ª série, Profa. Ivone (E. E. Dom Alberto José Gonçalves em Ribeirão Preto), muito pacienciosa e organizada, me ensinou a ler na cartilha “Caminho Suave”. Na 4ª série, eu li meu primeiro livro que era sobre uma fadinha rebelde, não me lembro do título, mas o que me alegrava era quando a professora pedia para lermos em voz alta e grifarmos as partes mais importantes. Na adolescência, fiz um caderno de poesias e músicas, foi quando conheci Carlos Drummond de Andrade e outros poetas. Hoje ler e escrever (quando tenho tempo) é muito natural, assim como comer, tomar banho, fazer ginástica, conversar com os amigos... Agradeço a todos os mestres que passaram pela minha vida e percebo que tive muita sorte!

Professora Melina Scarpa Custodio:

Reviver lembranças é tão bom, nós achamos que esquecemos, mas elas ficam bem guardadinhas, penso que realmente precisamos passar essa magia para nossos alunos, porque hoje, eles têm preguiça de tudo, ler e interpretar um texto é considerado um absurdo. O ponto negativo da era digital, foi esse, deixou tudo muito frio, sem vida, encontra-se tudo tão fácil, resumos de livros..trabalhos..cadê a conquista? Cadê a criatividade? Que memória leitora pode ser construída assim? Existem dois fatores que contribuem para que a criança desperte o gosto pela leitura: curiosidade e exemplo. Neste sentido, o livro deveria ter a importância de uma televisão dentro do lar. Os pais deveriam ler mais para os filhos e para si próprios. Um dos pilares da educação é a estrutura familiar! Antes de trabalhar na educação eu não tinha ideia de como os pais estão ausentes, a maioria trabalha o dia todo, mas isso não pode ser uma justificativa para a ausência, a falta de tempo é algo que nós criamos e só depende de nós mesmos conseguir administrar. Meus pais sempre trabalharam e a cobrança por notas, tarefas e disciplina nunca diminuíram. O apoio é essencial e contar historinhas desde cedo é um ótimo incentivo! Pois, hoje a dimensão de literatura infantil é muito mais ampla e importante. Ela proporciona à criança um desenvolvimento emocional, social e cognitivo indiscutível, quando as crianças ouvem histórias, passam a visualizar de forma mais clara, sentimentos que têm em relação ao mundo. As histórias trabalham problemas existenciais típicos da infância, como medos, sentimentos de inveja e de carinho, curiosidade, dor, perda, além de ensinarem infinitos assuntos...acho fundamental ter uma espaço valorizado para leitura em todas as escolas, independente da disciplina! Ficamos tão preocupados em metas que são colocadas para nós no decorrer do ano que esquecemos que estamos formando pessoas.

Professora Ludmila Bernardes da Silva:

Recordando-me agora das minhas primeiras experiências com leitura, acho que senti o que eu sentia naquele momento. Frequentava a pré-escola, mas minha mãe me incentivava muito em casa. Mesmo que ainda não tivesse aprendido a ler, toda semana ela comprava um gibi e me entregava toda vez que eu ia ao banheiro. Então ela dizia que era só pra eu olhar as figuras e o rostinho dos personagens, e pensar se eles estavam felizes, bravos, surpresos, tristes, enfim... os sentimentos que expressavam. Eu queria aprender a ler logo, pra saber o que eles diziam. Então um dia desses, um coleguinha da pré-escola disse para a professora que tinha aprendido a ler e demonstrou a ela. Sinceramente, eu fiquei triste porque ele tinha aprendido e eu ainda não (mais tarde descobri que isso era inveja!). Senti-me determinada, contei para minha mãe, até chorei... E ela passou a dedicar mais tempo me ajudando, pegava as falas dos personagens dos gibis que eu mais gostava e separava sílaba por sílaba. E eu ficava maravilhada em saber o que eles estavam dizendo. Até que aconteceu, aprendi a ler. E aos poucos fui lendo, li todos os gibis que já tinha, e minha mãe me trazia mais. Adorava ler placas, cartazes de supermercado, embalagens de produtos, livros infantis, contos enfim... tudo que havia palavras e frases havia se tornado muito interessante e eu sentia necessidade de ler. Bem, e assim sinto prazer até hoje pela leitura.

Professora Sonia Regina dos Santos:

É muito bacana poder reviver minhas primeiras experiências com a leitura. Sou de uma família grande, sete irmãos. Como sou a quinta filha, vivi as experiências dos mais velhos em leitura junto com eles. Toda noite, depois do jantar, cada um pegava seu gibi, revista ou livro e ia fazer sua leitura. Tinha dia em que a irmã mais velha lia para todos ou contava história. Lembro-me de uma grande mesa retangular de madeira, na qual fazíamos as refeições, e depois do jantar tinha histórias e leitura. Eu já fui aprendendo as letras com os mais velhos e quando entrei na escola, na primeira série, já estava alfabetizada. Brincadeira de "escolinha" era frequente. Para mim, o munda da leitura sempre foi de muito encantamento, não sei se, por exemplo, da família, se por gosto próprio ou se pelos dois motivos. Os livros sempre me acompanharam, sou uma leitora compulsiva. Tento despertar e cultivar no meu alunado o gosto e o prazer em ler. Como isso me fascina, desejo que meu aluno tenha esse mesmo prazer em estar imerso no mundo da leitura. Abraço.
 
Professora Mariele Cristine Reato: 
 
Lendo algumas experiência lembrei-me de quando comecei a descobrir as letras também, me sentia como se estivesse descobrindo o mundo, em todos os lugares que eu ia começava a juntar as letras pra descobrir o que estava escrito em determinado lugar. Hoje na maioria das aulas também procuro indicar muita leitura, através de textos em jornais, revistas e trabalho muito com explicações através do livro didático. Em casa tenho uma sobrinha que está com seis aninhos e esta aprendendo a ler, me vejo nela sempre quando a vejo juntando letrinhas dos livrinhos que ela tem pra poder saber o que está escrito e ela sorri a cada palavra que consegue ler, por isso acho muito importante o incentivo da leitura em livros de contos na educação infantil.

Professora Vera Lúcia Guida Querido: 

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